Billie

O Beckett dizia que ela era a melhor.

Beckett rehearsing Footfalls with Billie Whitelaw at the Royal Court Theatre, 1976.

Billie Whitelaw in Happy Days Royal Court Theatre, London, 1979.



Eu concordo!!!!

Nariz insubordinado

Despejei o lixo, arrumei a casa e o cheiro a vinha de alhos não se despega das minhas paredes. Comi fora ontem e hoje, nenhum dos meus vizinhos cozinha. E há dois dias que sonho com carne de porco à alentejana. Já me tinham avisado que deixar de fumar apura o olfacto, mas escusava de ter de cheirar os meus sonhos durante o dia.

tailandia c)

market (Chiang Mai)


market at Doi Suthep temple (Chiang Mai)

tailandia b)

@Chiang Mai (on the way to Doi Suthep)

Neuroses literárias

Cada vez me parece mais lógica a definição de escrita do Lobo Antunes: «Um delírio estruturado». Se por um lado nos dá a entender que a lucidez não é suficiente, também nos esclarece o quão insuficente é a loucura. Poucos conseguiram ser loucos, destruturados e geniais. Como Pessoa, Baudelaire e Silvia Plath na poesia, Camus e Miller no romance, Eugene O'Neill no teatro e Beckett em todos os géneros. Que lamentável a literatura de neuroses que se contenta com um teatro de vómito e masturbação. Este mês tive o desprazer de ver a inglesa Sarah Kane e de ler o sueco Lars Norén. São como aqueles restaurantes obscenamente caros e fashion, onde se come mal e onde nos tratam a pontapé.

Envie de Shakespeare


Antoine et Cleopatre de William Shakespeare, mise en scene de Daniel Mesguich. Archive du Théâtre de l'Aténée-Louis-Jouvet: du 26 février au 29 mars 2003.

Os degraus da censura


Desculpe Monsieur Michel Favory, sabemos que o seu desempenho no papel de Aziz é genial, sabemos que até ganhou uns quantos Molières este ano, mas há quem diga que o senhor não é suficientemente árabe, apesar de o falar na perfeição, mas não basta falar, se o senhor fosse um bocadinho mais moreno ajudava. Assim, resta-nos esperar o dia 20 de Junho quando a casa de Molière vai a julgamento.

Na foto:
Le Retour au désert de Bernard-Marie Koltès, Mise en scène : Muriel Mayette avec: Michel Favory : Aziz Grégory Gadebois : Mathieu Thomas Blanchard : Edouard.
E esperemos que regresse à Comédie Française

Augusto

O Augusto estala os ossos das mãos e os do orgulho ferido, tem ossos de despeito e no fígado a autoridade frustrada. «Não vejo a hora de pôr as mãos naquela miúda, aliviar esta bolha de raiva que me engasga e me deixa o estomâgo a arder, calar as palavras da Arminda cheias de amargura e azia que me entopem os ouvidos e o cérebro». E a Arminda com dentes de rata e olhos de aflição mói o engodo da dor e da vergonha, vomita a angústia. Só o Augusto digere, o Augusto que mandou ler sem ensinar a ver e que sempre escreveu sem saber ler. «Não é que eu goste de lhe bater, mas já que não posso arrear no filho da puta com quem ela anda metida pelas caves maradas dos Anjos, essa toupeira que além de viver debaixo da terra ainda leva para lá a minha melhor filha, ao menos que me alivie nela para conseguir respirar de novo e calar esta Arminda de vez». E o Augusto a mandar ouvir, surdo de ódio, o Augusto que ensinou a andar de costas direitas e que sempre carregou a marreca da ambição e da vergonha aos tropeções, o Augusto de mãos a arder, a abrir a boca à filha que lhe escarra o sangue na cara e que o chama de calhorda.

A caminho

Onde quer que te encontre terei sempre dois trabalhos em mãos, qual deles o mais habilidoso: reconhecer-te e estranhar-te em igual medida. Acho que por te conhecer bem em primeiro lugar, dou conta do que trazes igual e apercebo-me rapidamente das diferenças. Mas o mais importante motivo, porque tu és daquelas vidas raras em que a mutação é engenhosamente construída e deliciosamente cozinhada. Por essas e por outras, não me canso de te conhecer e reconhecer, ainda agora estavas de volta e já partiste e não tarda estás de regresso outra vez. Foste a melhor guia da minha vida nómada. Resta-me seguir-te o exemplo e os ensinamentos e ir por aí fora com os meus próprios passos. Pouco importa. Não tenho de ir já e tu ainda me fazes uma falta danada. Adagio ma non tropo este compasso de espera. Além de me teres ensinado a ler a vida por onde ando, consegues estar sempre a caminho.

tailandia a)

Songkhla

Mais poesia no metro

Stances galantes

«Souffrez qu'amour cette nuit vous réveille
Par mes soupirs laissez vous enflammer
Vous dormez trop adorable merveille
Car c'est dormir que de ne point aimer»

Molière

A aterrar

Seja muito benvinda muffin marley!!!!! Daqui a umas horas já estás em casa!!!

Comédie Française Censurada!!!

Até onde vai o abuso de poder dos direitos de autor? François Koltès, herdeiro dos direitos de autor do dramaturgo Bernard-Marie Koltès impediu a continuação do espectáculo Le retour au désert em cena na casa de Molière, a partir da 30ª representação. Motivo: o actor que interpreta o papel de Aziz na guerra da Argélia não é considerado árabe, apesar de falar árabe perfeitamente e ter origens Kabiles da parte da mãe! Mas o que é ser 100% árabe, Monsieur Koltès? Ou por outra, o que é não ser árabe? O que é ter um ar «demasiado europeu»? Quem se havia de lembrar que no teatro, espaço de metamorfose, onde se vestem segundas, terceiras e múltiplas peles, alguém iria tomar como critério a origem e a cor da pele dos actores. Chegou a hora senhores, de pedir um comprovativo de pureza ariana a quem queira representar o Hitler, um exame ginecológico a quem queira representar Marianne e o teste do balão às actrizes desejosas de interpretarem mulheres alcoólicas. Curiosos castings, os que se avizinham. Triste destino, o do teatro de Koltès, um teatro de denúncia engagée que tem por herdeira tanta confusão e ignorância. Aqui se manifestam um profundo desagrado e todo o apoio à Troupe de Molière e que a arte do ver por excelência nos continue a mostrar o caminho desse Retour au désert.

O julgamento é dia 20 de Junho. Sobre o Affaire Koltès:


http://www.lemonde.fr/web/article/0,1-0@2-3246,36-916034,0.html

www.lemonde.fr/web/article/0,1-0@2-3246,36-916741@51-915891,0.html - 30 Mai 2007 -

Ruínas de Sarah Kane

Estou a aplaudir sem sentir as mãos, aplaudo em instantes de autómato. Não me sinto mais, o abandono é total diante de tamanho horror. Aplaudo o espectáculo do horrendo, saio do teatro e após tamanha barbárie, algo de humano é devolvido. Choro e o Fábio não compreende, eu não o compreendo, não compreendo o tamanho de uma amargura ou lucidez que lhe permite digerir, o que eu não consigo gerir. É importante recusá-lo. Como não recusar um tamanho desalento, que nos coloca para além da impotência, pois se na impotência temos a incapacidade do gesto, no chão de todos os excrementos e cadáveres nenhum gesto terá lugar ou sentido. O palco de Sarah Kane suga-nos tudo, o perturbar sensorial bloqueia-nos qualquer razão. Já tanto faz o lugar onde acontece, tanto faz que seja a Jugoslávia dos anos 90 ou o crime de faca e alguidar da aldeia. Não compreendemos mais, compreendemos menos. Deixa de ser teatro porque rompe com a vida e desconstrói a humanidade. E ao mesmo tempo indago-me, não sentiria o mesmo fora do teatro, nunca a violência foi tão real, verdadeira e íntima a ponto de todas as dores que alguma vez senti, me parecerem pura construção do imaginário da minha cegueira, cobardia e ignorância. Mas as Ruínas de Sarah Kane não me tornam mais sábia, mais lúcida, mais corajosa. Esvaziam. Vomitaram-me na cara. A única forma de agir depois delas é fechar a porta e esforçar-me por esquecer o que vi. Antes a cobardia e cegueira na ilusão dos bons dias que passamos a cada vizinho, do que as ruínas em que se enforcou a dramaturga. O gesto de uma microconstrução apenas útil num microcosmos e absolutamente vã e patética. Destruir, mostrou ela. Plutôt la vie, Sarah Kane!

Luísa

Naquele dia os corpos desfiavam-se e fiavam-se nas rocas e teares dos
quereres apressados, enxotando os novelos de lã empilhados na despensa. Quando
os sentidos retomaram ao espaço e ao tempo de onde tinham partido,
infiltrou-se um silêncio, vindo não se sabe de onde e os ouvidos outrora
surdos ao relinchar do eléctrico escutavam agora com toda a clareza o vai e
vem dos ratos. Em Luísa o chiar dos ratos confundia-se com ecos porque
existia nela como voz interior, impossível de calar senão calando o silêncio.
«Em que pensas Mário?». «Penso neste coração gravado na máquina de costura.
Era o sinal do meu pai para a minha mãe, caso os bufos o apanhassem. Não sei
como é que a máquina não enferrujou com tanto choro, no dia em
que ela chegou a casa e a encontrou assim. Mas no dia seguinte o meu pai
voltou a meio da tarde e acabou por ser o irmão dele a ser levado para
caxias».Luísa muda de assunto, como que a tentar ouvir outra coisa que não
seja aquele chiar. «É verdade, a que horas é que chegam os teus pais?». «A
minha mãe está na feira da ladra a vender lagostins. E o meu pai já deve
estar na tasca porque folga às quartas, por isso amanhã passo o dia na baixa
a distribuir lã, para não o ter de aturar de ressaca». «O que é que faz o teu
pai?». «É projeccionista no Condes».E de repente os ratos calam-se na cabeça
de Luísa e chega-lhe uma imagem dela mesma noutra história, com outro corpo,
quase o dobro das pernas cruzadas a apanhar sol, óculos escuros e a
cabeça levantada à estrela de cinema, num descapotável parado em frente ao
mar.

Mauvais plans sur Paris

Jamais
- essayer d'aller au Pompidou le mardi (c fermé et ont se trompe tjrs)
- aller dîner à la cantine espagnole de la CIUP le samedi soir (c fermé et ont se trompe tjrs)
- aller à la bibliothèque du Centre Gulbenkian le lundi matin (c fermé et ont se trompe tjrs)
- aller au cinema champo le weekend, à partir de vendredi soir (c tarif unique, 7,50)
- prendre le 67 depuis la CIUP si on va plus loin que la place d'it (ça prend une étérnité)
- aller aux cycles de cinema de la Maison Heinrish Heine (c cher, on voit rien et on a de la chance s'il y a pas d'accidents téchniques)
- demander un café à la cafeteria de la Maison Internacional de la CIUP (on sert un café dégo, cher, dans un gobelet en plastique)
- aller à la bibliothèque de la CIUP sans un document qui prouve qui on habite là (il vaut mieux faire aller-retour. autrement on va se faire chier grave)
- essayer de faire un adresse suivi à la poste si c d'une maison de la CIUP pour une autre (il n'y a aucune raison plausible, il ne le font pas!)

A bientôt pour plus de mauvais plans.

93 et 94 ont assuré!!!

93 e 94 não votam sarko. assim como nenhum dos bairros populares de paris.


http://www.lemonde.fr/web/infog/0,47-0@2-823448,54-904808,0.html

la victoire est des bobos. mais ça va cramer!!!!

Sarko

No LeMonde

no Laos

Um estado de ansiedade se apodera de mim como se de um corpo estranho se tratasse.
Uma emocao tao pouco sentida mas fortemente presente, em certos momentos do dia.
Uma guitarra que desafia o canto dos passaros avidos de mosquitos.
Uma cidade que nao me estranha nem me entranha, que me eleva para alem da normalidade.
Sinto-me euforica e tao pouco equilibrada; Como a confusao atraente de um mercado popular.
E, escutando os sons desta cidade misturada, transporto-me para alem das aguas do Mekong para uma outra realidade, mais fantastica, como numa outra dimensao onde as energias se confundem num sopro de respiracao.
-continuacao de uma viagem pelo Laos, Luang Prabang-

quanto tempo o tempo tem

Odeio fazer tempo com coisas que me fazem perder tempo.


[ah espera de um night boat que nunca mais parte]

Mais escavacoes

A minha ultima sondagem e a minha equipa, Bounchun, Prida e Konthip


Primavera, poesia e granizo

Hoje escreveram-me um poema de primavera com look Outono-Inverno, no suposto dia da árvore, primavera e poesia. Não é para menos na primavera parisiense, em que cai granizo. Não deixa de ser poético e bonito. É bom de se ver pela janela, mas dói que se farta caminhar debaixo de granizo. Se calhar por isso é que o poema é para mim poema de Inverno. E dói que se farta. Para ler em local seguro e a olhar pela janela.

«Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa»

Sophia de Mello Breyner Anderson

mas foi uma outra menina quase parisiense a escrever-me e que hoje passou por cá numas horas de sol. Mas ser menina e quase parisiense é ser também um bocado granizo e saber dar sovas na vida. Não é?

Khao Sam Kaeo

Rita e Phaedra de roda das contas de vidro e da ceramica pre-historica de Khao Sam Kaeo (sitio arqueologico em Chumphon, Sul da Tailandia)
[em frances]

Virar a página

Nada como um Jean para nos consolar a ausência de um Sam, sendo que este senhor é tudo menos um prémio de consolação.



Imagem do espectáculo Elle, de Jean Genet, encenado por Olivier Balazuc e Damien Bigourdan, com Olivier Balazuc, Damien Bigourdan, Bruno Blairet e Thibault Lacroix, Théâtre de la Cité Internationale, Paris, de 6 de Março a 6 de Abril (na foto Olivier Balazuc e Damien Bigourdan, interpretando respectivamente L'huissier e Le photographe).

Urgente/Urgent

Procuro desesperadamente um bilhete para La dernière bande de Beckett, no Pompidou, para dia 15 de Março.

Je cherche désespéramment un billet pour La dernière bande de Beckett, au Pompidou, pour le 15 mars.

Mais Dias Felizes



« La gravité Willie, j’ai l’impression qu’elle n’est plus ce qu’elle était, pas toi ? Oui j’ai l’impression que si je n’étais pas tenue - de cette façon - je m’en irai tout simplement flotter dans l’azur… ».

Samuel Beckett, Oh les beaux jours, Éditions de Minuit, Paris, 1975.
Image du spectacle Oh les beaux jours, mise en scène de Frederick Wiseman, avec Catherine Samie et Frederick Wiseman, Théâtre du Vieux Colombier de la Comédie Française, Paris, du 26 octobre au 4 novembre, reprise du 22 mai au 17 juin.

Dias Felizes



WINNIE -
Tu sais le rêve que je fais quelquefois ?(Un temps.) Le rêve que je fais quelquefois, Willie ?(Un temps.) Que tu viendras vivre de ce côté que je puisse te voir. (Un temps. Elle revient de face.) J'en serais transformée. (Un temps.) Méconnaissable. (Elle se tourne un peu vers lui) Ou seulement de temps en temps, que je me repaisse de toi. (Un temps. Elle revient de face.) Mais tu ne peux pas, je sais. (Elle baisse la tête) Je sais. (Un temps. Elle lève la tête.) Enfin - (elle regarde la brosse) - plus pour longtemps, Winnie - (elle regarde la brosse) - ça va sonner. (Le crâne chauve de Willie, partie postérieure, apparaît au-dessus de la pente du mamelon. Winnie regarde la brosse de plus près.) Solennellement garantie… (elle lève encore la tête)…comment c'était encore ? (La main de Willie réapparaît tenant le canotier qu'0elle ajuste sur le crâne, coquettement de biais, puis disparaît)…ah ! soie de porc ! (Un temps.) Qu'est-ce que c'est un porc, au juste ? (Un temps. Se tournant un peu vers Willie.) Qu'est-ce que c'est au juste, Willie, un porc ? (Un temps. Se tournant vers lui un peu plus, suppliante.) Willie, je t'en supplie, qu'est-ce que c'est, un porc ?
Un temps.
WILLIE - Cochon mâle châtré. (Winnie a une expression heureuse.) Elevé aux fins d'abattage.
(Winnie revient de face. L'expression heureuse augmente. Willie ouvre son journal, mains invisibles. Les pages jaunies viennent encadrer sa tête. Winnie regarde devant elle, expression toujours heureuse.)
WINNIE - Oh le beau jour encore que ça aura été, encore un ! (Un temps.) Malgré tout.(Fin de l'expression heureuse) Jusqu'ici.

Samuel Beckett, Oh les beaux jours, Éditions de Minuit, Paris, 1975.
Image du spectacle Oh les beaux jours, mise en scène de Frederick Wiseman, avec Catherine Samie et Frederick Wiseman, Théâtre du Vieux Colombier de la Comédie Française, Paris, du 26 octobre au 4 novembre, reprise du 22 mai au 17 juin.

en cours...



Vou partir, naquela estrada...

J-4!

Remember?

A musica começa a ficar mais pesada do que o meu estado de espirito. Respiro vanidade, em vez de oxigénio. E os anéis das minhas mãos apertam-me os dedos. E o suor debaixo dos braços confunde-se com um odor distante de desodorizante. é tempo de ir, ja chegaste, eu também e viva a inospitalidade dos dias.

Paris été 2006

Maria Carlota

Já passa da hora e ainda tenho de aturar este cretino deste genro, depois de ter enterrado dois maridos. Logo hoje que não tenho vagar. E o fulano a gesticular com as mãos papudas e ar de fedelho enfezado e insolente: Não ponho mais os pés nesta tasca cheia de lesmas a treparem pelas paredes e esta mulher que nem sabe escrever. Lesma é você, seu malcriado! desampare-me a loja que já pus o letreiro lá fora. não tarda tenho a clientela à porta a pedir-me travessas de caracóis e canja de galinha e não são os acentos nem os hagás que os vão servir, diz Maria Carlota ainda com esperança que lhe aviem aquela sopa gumosa com pedaços de cenoura cortadas pela metade. O que a safa é que há caracóis, com ou sem h, com ou sem acento. O genro afasta-se com passos de carroça e já da rua lança o último insulto, com as bochechas a transbordar de cuspo e despeito: Mais valia continuar a distribuir lã pela Baixa e pelo Verão a dentro, como fazia a parva da sua mãe. E a Maria Carlota esquece a sopa mais do que destinada a ser queimada no fogão, mas é a memória que arde e que sobe a Travessa Terras Monte, os ombros e a voz mais céleres que as pernas, os ombros e a voz a oscilarem de um lado para o outro. Do ombro esquerdo a injúria declamada e esplendorosa, com a mão a terminar na anca e a apoiar-se no rim. No ombro direito repousa de quando em quando a voz do apelo a ganhar fôlego, com o braço e a mão a gesticularem e a mandarem entrar a clientela esquecida dos caracóis, porque a fome de ouvir injúrias é bem maior que o apetite do petisco. O braço que gesticula, em breve se esquece do apelo e desce em direcção à anca para se apoiar no outro rim, porque é daí que a injúria se transforma em pregão. Pregão que sai desnorteado pela Rua Rosalina a fora para ir dar à Rua da Graça. Não fosse a clientela da Maria Carlota um maralhal de vizinhas sedentas por apregoar, já o enfezado do genro deve ter dobrado a esquina dos Anjos e ainda se ouvem as mulheres a coleccionarem insultos e pragas, junto ao mercado de sapadores. No apregoar é que está o ganho, Maria Carlota. E por pior que seja a tua tasca, não há pregão que dê mais sede que o teu.

Mixte Grill #3

Je commence à comprendre que les ambigüités cachent pensés et sincérités que je voudrais entendre et ne pas refouler.

dec06

Mixte Grill #2

Ambiguity is one reason why computers do not yet understand natural language. For some reason, we have found it valuable to use a highly ambiguous form of natural communication between us.


[in Here]

nov06

Mixte Grill #1

O dylan continua a soar no pc como um voz revolucionaria que nao se consegue calar. Pleno de esperanças de que os outros gostem dele e o tratem bem. Engana. O que ele quer é ser ouvido. Finge sentimentos e frases como quem finge acordes. Alguns, os que acreditam, acham que é some sort of God. Ha musicas que gosto, que me dizem algo, mesmo mentira, nao interessa. As vezes a mentira é mais verdade do que o real. Convencido, auto-moralista, enfim. “you’ve got a face that begs for love”. Quem é que tem uma cara que begs for love? Estou possuida com sons que nao me dizem nada e com letras que passam rapido de mais para que eu as pense. E ainda ha pessoas que pensam em mim. Porque viram alguem parecido no comboio. Porque um dia, distante, fui alguem importante na vida de outro.

nov06

Poesia no metro III

«Dites-moi»

«Dites-moi, ô mon amour, une tendresse, une parole, un mot
Pas de magie ni de sorcellerie
Pas de baguettes ni de coq crevé au carrefour
Mais la plaine même du bonheur
Et vole ma petite cigale sans queue ni plumes sans antennes sans stries.»

Jean Metellus, Voyance et autres poèmes, ed. Janus, 2005 (auteur né en 1937 au Haïti)

José Diogo Quintela diz que Sim

"eu acho que independentemente da razão (com a qual não tenho nada que ver) a mulher aborta porque pode, porque quer e porque escolhe."

Mais --> aqui <--

arminda

Queixa-se o nariz de arminda, sem compreender de onde vem o cheiro a ratos. Raios partam estes trópicos que me fazem suar a casa, me empestam o corpo encardido e que não me deixam dormir a catraia abafada a empurrar a manta de linho. Sem avisar, o augusto chega a casa, torneia-lhe as ancas, sopra-lhe ao ouvido com a voz do desejo que se mistura com a do cansaço, com a fome dos frigoles já arrefecidos. E ralha de seguida, porque a arminda o afasta, a arminda que não se atreve a dizer-lhe o que é que lhe arrefece a fome. Da última vez deitou-lhe os comprimidos pela janela. Essas drogas, esses venenos tiram-te a vontade de mim. E a arminda a chorar e a gesticular que não são venenos, que ela tem sorte em ter encontrado um médico sabido das coisas, que nem na terra dela, nem em lisboa se sonhou achar tal remédio, porque a gente não dá conta de mais filhos agora, augusto, pelo menos até acabares os teus estudos e abraça-o e insiste que ainda o quer. Porque é mais fácil acordar o desejo do que adormecer aquela criança, quanto mais pensar fazer outra nestes trópicos. E durante estes pensamentos de arminda, augusto levanta-se com o corpo ainda quente e abeira-se do berço de luísa, para descobrir o que a faz chorar e empurrar a manta de linho. O nariz de arminda não se engana, nem os ouvidos e os sentidos de mãe que ouvem augusto gritar. Uma ratazana arminda, uma ratazana que vai buscar linho à manta da menina, para alimentar uma ninhada deles. E a arminda mãe só de uma cria a medir forças com a bicha, a enxotá-la dali para fora e a matar-lhe a ninhada de ratos com ar de embriões minúsculos, roxos e medonhos. Que se naquela casa não há lugar para mais filhos dela, também não há lugar para os filhos dos outros. E a arminda a chorar e a beber chá de hortelã pimenta para enganar a lua, depois de o augusto lhe deitar as pílulas pela janela e lhe chamar desgraçada. E o augusto a indagar porque é que não tem uma mulher como as outras, o augusto sem suspeitar que já teve o ar medonho daqueles ratos a roer a barriga de outra desgraçada, sem suspeitar que a mulher dele é como as outras e que as outras todas são como a lua e que consoante a lua é que são horas de desejar ou de parir.

Indiana

Indiana = Tailandia
Indiana = renda paga
Indiana = boas gorjas
Indiana = horarios de merda
Indiana = baixo salario
Indiana = stress absurdo

poesia do metro II



"Mais votre eau est plus épaisse que jamais ne seront lourdes mes feuilles."


[nao sei quem é o autor]

Nichane (Marrocos)

"Pour avoir publié un dossier sur les "noukat" (blagues) qui circulent au Maroc, le directeur et un journaliste de Nichane sont aujourd’hui poursuivis par l’Etat pour "atteinte aux valeurs sacrées", et plus particulièrement à celles ayant trait à la religion islamique.

Cette accusation est la plus grave qui soit prévue dans l’arsenal juridique marocain, et expose nos collègues et amis à 3 à 5 ans de prison, ainsi qu’à l’interdiction temporaire de parution de Nichane – si la justice tranche dans ce sens.

Mais sans attendre l’issue du procès, le premier ministre a déjà décidé, au nom du gouvernement marocain, l’interdiction pure et simple de Nichane."


Assinar a Petição


[ Julgamento, 3 anos de prisão (adiada a pena) e cerca de 7200€ de multa ]

poesia do metro

«Parfois, une émotion passe
Discrète comme un rideau qu'on écarte
Elle salue au passage le sang nomade
Et laisse à la bouche
Une infnie question»

Ernest Pépin, Salve et salive, Guadeloupe, 1986.

ARGUMENTOS

Custos para o Sistema Nacional de Saúde

Alguns defensores do Não argumentam que a relização de abortos sobrecarregará de forma intolerável o Serviço Nacional de Saúde, tanto em termos financeiros, como em termos de aumento das listas de espera para a realização de cirurgias.

Isto é falso. A maior parte dos abortos não requer hoje em dia qualquer cirurgia. Até às nove semanas de gravidez, o aborto pode em geral ser efectuado, de forma totalmente eficaz e segura, por meios químicos, através da ingestão de apenas dois comprimidos. A mulher faz uma ecografia na qual a idade do embrião é verificada através da medição do seu comprimento, o médico receita-lhe os comprimidos abortivos, que a mulher compra na farmácia e toma em sua própria casa. Uma segunda ecogafia será depois necessária para verificar que o embrião foi adequadamente expulso. Não há lugar a qualquer cirurgia, e as despesas para o Serviço Nacional de Saúde (duas ecografia, uma consulta médica, e uma caixa de comprimidos) são marginais quando comparadas com as despesas que este enfrenta com qualquer gravidez que seja levada ao seu termo.

Dados de clínicas espanholas indicam que 85% das mulheres portuguesas que nelas realizam aborto o fazem quando a gravidez tem menos de dez semanas. É de estimar, pois, que a imensa maior parte dos abortos a realizar ao abrigo da despenalização o possa ser de forma química e, portanto, com custos muito reduzidos.

De qualquer forma, a penalização do aborto hoje existente também tem custos muito elevados. O Serviço Nacional de Saúde é obrigado, na urgência, a acudir a mulheres a quem foram efectuados abortos de forma incorrecta e arriscada, com graves consequências -- por vezes irreversíveis -- para a saúde dessas mulheres. Esse atendimento de mulheres nas urgências hospitalares tem custos muito superiores aos do procedimento abortivo anteriormente descrito. Também a perseguição policial e judicial em casos de aborto tem custos, em termos de meios técnicos e humanos da polícia e dos tribunais que estão a ser delapidados na perseguição, frequentemente infrutífera, ao crime de aborto.

É importante também saber que o Serviço Nacional de Saúde não será provavelmente utilizado para se realizarem a maior parte dos abortos, tal como acontece em muitos outros países, onde as clínicas privadas são efectua a maior parte das IVGs.

Porquê dez semanas?

Os defensores do Não argumentam que não há qualquer razão para o prazo de dez semanas estipulado no referendo, e sugerem que, uma vez esse prazo aceite, qualquer outro prazo, mais alargado, poderá vir a ser no futuro igualmente tolerado.

O prazo de dez semanas é um compromisso entre o direito à vida e o direito ao planeamento familiar. É um compromisso realista, exequível. A imensa maior parte das mulheres que deseja abortar fá-lo sem problemas até às dez semanas da gravidez, conforme indica a prática das clínicas espanholas. Sendo uma solução de compromisso, o prazo de dez semanas não é imutável; não há, no entanto, quaisquer razões para que, num qualquer futuro, se venha a despenalizar o aborto num prazo mais alargado.

O prazo de dez semanas, de um ponto de vista científico, corresponde à passagem do estado de embrião ao estado de feto. Um embrião de dez semanas não tem Sistema Nervoso Central e, como tal, não sofre dôr nem tem consciência de si mesmo. À realização de um aborto dentro desse prazo não corresponde portanto qualquer experiência dolorosa ou traumática para o embrião abortado.

O progresso e a evolução da ciência permitem hoje um conhecimento e acompanhamento do desenvolvimento do bebé no seio materno acessível a todos. Na ciência moderna o feto não é um ente oculto, mas um ser humano conhecido e directamente observável

Até à oitava semana de gestação, o termo científico correcto que se deve usar é embrião, e usa-se este termo precisamente para indicar que o seu desenvolvimento ainda está nos estados iniciais. Por exemplo, até à oitava semana de gestação (décima de gravidez) ainda não existem as células que irão constituir os ossos e os músculos e os órgãos vitais ainda são imaturos. Também o sistema nervoso apenas está a dar os seus primeiros passos à oitava semana de gestação, o que descarta qualquer hipótese de consciência ou dor. Nesta fase o tamanho do embrião é de 27 a 35 mm.

Avanços recentes na cardiologia fetal mostram que o desenvolvimento do coração ocorre entre as três e as seis semanas de gestação.

Dificilmente poderá usar-se a existência de um coração (um músculo), como aquilo que determina se um ser deve ser em fase embrionária já deve ter direitos iguais equivalentes ao de um ser humano. Inclusivamente tal argumento é falacioso, pois, tal significaria que se poderia abortar antes das seis semanas de gestação (oitava de gravidez)?

A alternativa da contracepção

Alguns defensores do Não argumentam que se deve lutar firmemente contra o aborto através de uma maior disseminação dos meios contraceptivos e da educação sexual. A maior parte das pessoas concorda, de facto, com essa disseminação. Infelizmente, no entanto, a contracepção não impede a necessidade de, como último recurso, realizar abortos. Todos os métodos contraceptivos são falíveis, por razões técnicas ou humanas. Os preservativos rompem-se ou são mal colocados, as pílulas são ineficazes se tomadas em conjunção com um antibiótico, ou então as mulheres esquecem-se de as tomar, etc.

Uma mulher que decida ser sexualmente activa deve sempre ter em mente que todos os métodos de contracepção falham. Mesmo para quem usa um método contraceptivo na perfeição, não há garantias quanto à impossibilidade de engravidar. Se o seu método de contracepção tiver uma taxa de falha média de 18%, ao longo de cinco anos a hipótese de uma mulher engravidar é superior a 50%. Durante esses cinco anos, 63 em cada 100 mulheres usando um diafragma irão ficar pelo menos uma vez grávidas. 20% das mulheres jovens que iniciam a sua actividade sexual ficam grávidas durante o seu primeiro mês de actividade e 50% ficam grávidas durante os primeiros seis meses. A mulher média que utiliza contracepção reversível pode esperar ter duas gravidezes não desejadas durante a sua vida ou mesmo mais se não usar sempre contracepção. Mesmo um baixo risco de falha ao nível do contraceptivo implica um alto risco de gravidez durante uma vida de utilização desse mesmo contraceptivo.

Fonte: Contraceptive Information Resource

A necessidade da autorização do pai

Alguns defensores do Não argumentam que a autorização do pai do embrião deveria ser necessária para a realização de um aborto. Este argumento esbarra na incapacidade prática de se saber quem é esse pai antes das 11 a 13 semanas de gravidez. Após este prazo, existem testes, mas que que implicam riscos de malformação fetal. Por isso, até às 10 semanas, apenas a mulher sabe com quem teve relações sexuais e quem poderá ser o pai do embrião, mas ela pode não o querer confessar. Mesmo que a mulher afirme que o pai é um determinado homem, e mesmo que esse homem confirme, não há forma de se saber, antes da realização do aborto, se eles estão a falar verdade. É espúrio condicionar legalmente a realização do aborto ao assentimento de um qualquer homem, quando não se sabe se, de facto, esse homem é mesmo o pai do embrião a abortar.

Os apologistas do aborto invocam a sua legalização como meio de combater “o flagelo do aborto clandestino”, então será esta a metodologia que vão usar para acabar com a fuga clandestina aos impostos e aos pagamentos à Segurança Social, às cópias de CDs e DVDs, à manufactura de "roupa de marca" falsa e à corrupção?

Este argumento é baseado numa comparação desonesta do ponto de vista intelectual, assim não nos parece útil esgrimir argumentos sobre algo que é absurdo comparar (crime económico / interrupção voluntária da gravidez). Adianta apenas referir que, são um grave e frequente problema de saúde, com consequências agudas e crónicas. Para além das gravíssimas implicações na saúde da mulher, determinam gastos directos e indirectos que sobrecarregam, de modo significativo, o orçamento do SNS. Também é importante saber que quem não pode comportar uma deslocação ao estrangeiro, é quem acaba por aceitar fazer o aborto em condições menos dignas, ou seja a maioria da população.


A questão do aborto é uma questão ideológica, pois ser de direita implica ser contra, e ser de esquerda implica ser a favor

Há quem pretenda fazer crer que a questão do aborto é uma oportunidade para medir forças entre a esquerda e a direita. Ora não há nada mais falso do que isto. Há muitas pessoas de direita que são a favor de leis menos rígidas, enquanto outros de esquerda (e mesmo de extrema-esquerda, pois convém lembrar que a prática do aborto na maioria dos regimes comunistas do leste poderia implicar pena de morte) que são marcadamente contra o aborto.

Talvez o problema se coloque mais ao nível da crença religiosa, daí a confusão; visto existir uma parte da direita ligada aos sectores mais tradicionais da igreja e uma esquerda em geral tradicionalmente anti-clerical, que gosta de, irreflectidamente, combater todas as posições religiosas, o que frequentemente resulta neste tipo de leituras simplistas.

A lei em vigor é justa e equilibrada, pois abre algumas excepções, como nos casos em que a mulher é violada

Quem defende a manutenção da lei, alegando que esta salvaguarda os casos em que existe risco de vida para a mulher ou em que ela é violada, esquece-se que existem mulheres que são violadas pelos companheiros no seu próprio lar, encobrindo esta situação por medo ou por vergonha. Estas mulheres, vitimas de violência doméstica, são também discriminadas, pois não podem provar que foram vitimas de violação, sendo impedidas de praticar aborto.

A Lei tem o dever de proteger a vida desde o início

O momento do início da vida é impossível de determinar. Trata-se de um processo contínuo. Às dez semanas sabemos que o embrião não tem ainda actividade cerebral e portanto não tem consciência. Só adquire estas capacidades mais tarde, e fá-lo de forma progressiva de modo a que é impossível afirmar um momento exacto. A protecção legal e social que é dada a um ser humano não precisa portanto de se estender a um embrião.

Toda e qualquer decisão sobre o momento a partir do qual é concedida protecção legal possui alguma arbitrariedade. As dez semanas são um compromisso, e até um compromisso cauteloso.

O direito à vida é o primeiro direito

Sem dúvida. Mas os direitos humanos são convenções sociais, que são atribuídos aos seres humanos por mútuo acordo, e através da concordância ética de grande parte da sociedade. Ora, muitas pessoas consideram que um embrião humano não tem ainda todas as faculdades que lhe conferem a dignidade de um ser humano, e não pode portanto ter todos os direitos concomitantes.

Por exemplo, um embrião vítima de um aborto natural não tem em geral direito a funeral e a uma campa. Não lhe é dado um nome, nem são feitos serviços religiosos em sua honra.

Se não se tem a certeza do momento - em que o embrião começa a ter dignidade - na dúvida opte-se pela vida

Este é um entendimento comum, mas não universal. Em nosso entender, na dúvida deve-se optar pela liberdade. Na dúvida, deve-se dar às pessoas a liberdade de decidirem de acordo com a sua consciência.

Qualquer pessoa individual terá a liberdade de considerar que o seu filho embrião tem toda a dignidade e que tem o direito à vida. Mas, a Lei não deve nem tem necessidade de impor esse entendimento a todos.

Quem se sente capaz de decidir da vida ou da morte de alguém?

A Lei a ser referendada não pretende decidir da vida ou da morte de ninguém. Pretende apenas conceder às mulheres grávidas, em certas condições, o direito de decidir da vida ou da morte do embrião que transportam dentro de si, e só dele. Só essas mulheres julgarão se lhes é ou não legítimo tomar essa decisão. As mulheres que acharem que não é legítimo matarem o embrião que transportam dentro de si, terão a liberdade de não o fazer.

Fazer um aborto é traumático

Isto é sobretudo verdade no caso de abortos realizados na clandestinidade e/ou em más condições sanitárias, como actualmente. Em todo o caso, não compete à Lei proteger as pessoas, contra a sua vontade, de experiências que eventualmente se lhes possam revelar traumáticas ou geradoras de depressões.

Nenhuma das dificuldades e carências invocadas pela mãe - que pretende abortar, será alguma vez resolvida com a morte do filho

Essas dificuldades e carências poderão não ser resolvidas pelo aborto, mas eventualmente tornar-se-iam muito mais graves caso a gravidez fosse levada por diante. Uma mãe com um emprego precário, por exemplo, pode ver a sua situação muito agravada no caso de decidir levar a sua gravidez por diante - pode acabar por perder o emprego. Neste caso, o aborto não resolve a situação de precariedade laboral, mas impede que ela desemboque num despedimento. Outro exemplo: uma mãe adolescente a estudar, não melhorará a situação dos seus estudos caso realize um aborto - mas tem toda a probabilidade de piorar esses estudos caso decida, pelo contrário, levar a gravidez a termo.

Se o feto conseguisse comunicar ou emitir gemidos de dor na altura em - que o aborto decorre...

O embrião ou feto não tem sistema nervoso central antes das 12 semanas de gravidez. Não sente dor durante a realização do aborto. Muito menos tem a capacidade de comunicar quaisquer sensações. Não tem sequer consciência.

O aborto não pode ser um método contraceptivo

É sem dúvida penoso pensar que algumas mulheres possam utilizar aborto como um substituto da contracepção. No entanto, dado que a realização de um aborto não é isenta de riscos para a saúde, não é isenta de sofrimento físico e psicológico, será utilizado pela esmagadora maioria das mulheres apenas como um método de último recurso para evitar uma gravidez indesejada.

Se a mulher/mãe é criminosa ou não, o juiz a julgará

Que juiz tem o direito de efectuar tal julgamento? Que juiz pode legitimamente condenar uma mulher que abortou? Haverá um veredicto no qual toda a sociedade se possa rever? Um julgamento sobre um caso de aborto não reflectirá sobremaneira, apenas, as convicções morais próprias de cada juiz particular? E tem sentido procurar arrastar para julgamento os milhares de mulheres que, anualmente, abortam em Portugal?

E se for o aborto realizado às onze semanas? - Neste caso a mulher deve ir para a prisão? Porquê? O que mudou?

A despenalização do aborto é um compromisso entre o direito à vida e o direito a não se dar à luz uma criança indesejada. Como tal, tem que haver um limite, o qual é necessariamente artificial. A Lei está cheia de compromissos e de limites artificiais. Por exemplo, conduzir um automóvel com 0,5 gramas de álcool por litro de sangue é legal, se forem 0,51 gramas já é ilegal. Conduzir numa auto-estrada a 120 km/hora é legal, a 121 km/hora já não o é. Ninguém, a não ser os mais fundamentalistas, defende que a resolução de tais situações deva ser a proibição total.

O aborto clandestino põe em risco a vida da mulher - mas possivelmente o aborto clandestino nunca deixará de existir.

Isto é sem dúvida verdade. Mas, ao despenalizar-se o aborto, permite-se que pelo menos algumas mulheres realizem o aborto em muito melhores condições de segurança. Dá-se às mulheres a possibilidade de realizar o aborto de forma segura.

Hoje em dia são técnicos que realizam os abortos clandestinos. Os mesmos que possivelmente os irão realizar nos estabelecimentos hospitalares.

Sem dúvida. Mas um aborto realizado de forma clandestina, mesmo que por um profissional qualificado, nunca usufrui das mesmas condições de segurança que um aborto realizado em meio hospitalar, no qual todos os meios de socorro estão à mão. Por esta mesma razão se tenta que os partos sejam realizados em maternidades, e não em casa das mães...

Dizem-nos que são muitos os abortos clandestinos, portanto, o melhor será legalizar e liberalizar! Mas também há muitos roubos - legalize-se e liberalize-se. Há muita violência doméstica - legalize-se e liberalize-se. Faz algum sentido?

Trata-se de situações incomparáveis do ponto de vista moral, no entendimento de grande parte das pessoas. Não se despenaliza o aborto apenas por ele ser muito frequente, mas também porque, no entendimento de grande parte das pessoas, o aborto não causa um prejuízo moral claro a ninguém. Pelo contrário, no caso do roubo ou da violência doméstica, entende-se que são práticas moralmente graves e que prejudicam de forma muito clara alguém. Ou seja, não pretendemos que o aborto seja despenalizado apenas para lhe conceder condições de segurança e apenas porque se trata de uma prática muito frequente, mas também porque sabemos que a sua condenação moral é, no entender de muitas pessoas, duvidosa ou inexistente.


adaptado do site Eu Voto Sim

RETROCESSOS

Bush encoraja os adversários do aborto no aniversário de "Roe contra Wade"

à l'occasion des 30 ans de la loi du 17 janvier 1975 relative à l'interruption volontaire de grossesse (loi Veil), une coordination associative est née : le Collectif 30 ans ça suffit !

Quartet


«Valmont. Je la croyais éteinte votre passion pour moi. D'où vient ce soudain retour de flamme. Et d'une passion si juvénile. Trop tard bien sûr.»

Heinner Müller, Quartet, Théâtre de l'Odéon, Mise en scène de Bob Wilson, novembre, 2006.

O link do dia #2

www.sapo.pt - A votação do dia!!!

Orçamento de Estado sueco tem lucro de 2 mil milhões:
São um modelo 77.59% (2683 votos)
Pois, mas não têm sol 22.41% (775 votos)

Uma boa promo

na www.airasia.com

[ou um bilhete Phnom Penh - Bangkok por 16€]

SDF's

Parece que o acampamento vai acabar...

O link do dia #1

é este direito ao "foda-se":

Existe algo mais libertário do que o conceito do «foda-se!»?

Rotterdam

Senta-te e lê.
[quando tudo à volta é consumismo, ler ainda serve para alguma coisa...]

Amnistia Intern vs. Guantanamo

Alguns acham que "activista" rima com "terrorista"...

Referendo sobre o aborto

Se pudesse votar, votava sim.

____________________________


Pelo sim, pelo não, debate interessante no 1000 vozes.

_____________________________________________

Campanha pelo Sim, alguns links ai à esquerda.

Conceição

Não se levanta por serem horas, não se levanta por lhe doer o corpo esmurrado e violado, nem sequer é o desdém que sente pelo corpo que ronca na mesma cama. é o cheiro a vinho destilado que invade o quarto. é o cheiro a ressaca, é o sono pesado que a fazem levantar. habituou-se a levar pancada, habituou-se a carregar aquele corpo trôpego três andares a cima e até se
habituou a calar-lhe os gritos para os miúdos não ouvirem. tem costas largas e ancas de mãe. mas o olfacto atraiçoa-a. são cinco da manhã e conceição desce de mansinho. vai cheirar a manhã, vai abrir as portadas e espreitar os humores de portimão nesse dia. ainda é cedo para ir à praça, ainda é cedo para acordar os miúdos, ainda é cedo. e é nessas horas mortas que se põe a cismar, não fossem essas horas, não fosse aquele cheiro a fazê-la descer, olhar a manhã sozinha e cismar...
onze anos passados os vizinhos em lisboa sussurram nas suas costas a sua valentia. uma mulher que deu à sola sozinha com quatro filhos atrás. Ela ouve-os antes de apanhar o eléctrico para ir à Baixa. E sorri a cheirar outras manhãs, noutra cidade e a lembrar que a coragem não veio das mãos a carregar os filhos e a máquina de lã. bravo foi o nariz que a fez partir.

Revolta dos estudantes no Chile e Michelle Bachelet

Chili : Michelle Bachelet et la révolte des "pingouins"

LE MONDE | 29.11.06 | 16h12 • Mis à jour le 29.11.06 | 16h12

On les a surnommés les "pingouins" par référence à leurs uniformes bleu marine et à leurs chemisiers blancs de collégiens. Ils ont 17 ans. Ils ont grandi en démocratie. Pour eux, la dictature militaire (1973-1990) et le général Augusto Pinochet, c'est du passé. Pourtant, ils accusent : "Peu importe que ce soit une femme. Nous ne croyons pas dans les politiciens. Nous n'attendons rien de Michelle Bachelet." Le ton intolérant de Maria Jesus Sanhueza et de Max Mellado contraste avec leurs sourires d'adolescents. Ils sont les principaux dirigeants de la révolte étudiante qui a ébranlé Michelle Bachelet, quelques mois seulement après l'arrivée au pouvoir de la première femme élue présidente du Chili.

Que reprochent-ils à ce gouvernement socialiste ? Tout bonnement de recourir à des méthodes "dictatoriales" : "2 500 collégiens ont été interpellés en mai, 100 ont été expulsés de leur collège", dénonce Maria Jesus, qui a été mise à la porte de son école à cause de son militantisme.

Les portables n'arrêtent pas de sonner. Une réunion est aussitôt organisée, ce 26 octobre, Plaza Italia. Les rassemblements ont été interdits dans le centre-ville mais les collégiens se retrouvent dans leurs quartiers. "Avec nos portables, Internet et MSN nous communiquons rapidement. Les adultes sont dépassés !", se réjouit Max, fier que leur mouvement ait déjà entraîné la chute de trois ministres.

Il réclame que l'Etat reprenne en charge l'éducation, privatisée par Pinochet. Toutes les universités sont payantes. "Le salaire minimum est de 120 000 pesos et une université coûte 200 000 pesos par mois", souligne Max. Le gouvernement s'est engagé à réformer la loi sur l'éducation. "Dans combien de temps ?", s'exclame Maria Jesus, qui annonce la tenue d'un congrès national des étudiants, fin novembre.

Tout a commencé à la fin avril. Des centaines de milliers d'élèves du secondaire sont descendus dans les rues à travers le Chili pour dénoncer, entre autres, la mauvaise qualité de l'enseignement et les inégalités entre le privé et le public. Ils réclamaient la gratuité des transports pour les écoliers et celle du baccalauréat. Baptisée "la révolte des pingouins", par plaisanterie, cette fronde inédite a surpris tout le monde, à commencer par la présidente socialiste, qui avait pris ses fonctions le 11 mars.

Pour la première fois depuis seize ans, un gouvernement de la Concertation démocratique - la coalition de centre-gauche regroupant démocrates-chrétiens, socialistes et radicaux, au pouvoir depuis le retour de la démocratie - affrontait une vaste protestation sociale. Le mouvement bénéficiait, selon les sondages, d'un soutien populaire de 83 %.

Depuis le retour de la démocratie en 1990, la pauvreté a certes été réduite de moitié et le budget de l'éducation a été multiplié par trois. Mais le Chili reste un des pays les plus inégalitaires d'Amérique latine en matière de redistribution des revenus, et l'éducation, moteur de l'ascenseur social, reste peu accessible aux plus démunis. Pendant un mois, les monômes ont peu à peu pris de l'ampleur, avec le soutien des parents. Le 30 mai, une manifestation à Santiago du Chili a été durement réprimée. Plusieurs centaines d'étudiants ont été interpellés. Les images montrant des policiers battant des écoliers et des journalistes ont suscité une vive émotion. Mme Bachelet, 55 ans, qui avait été torturée pendant la dictature, s'est indignée, qualifiant de "légitimes" les revendications des étudiants. Elle a limogé le chef des forces spéciales de la police.

Cette mère de famille divorcée, qui a élevé seule ses trois enfants, a dû inaugurer, par la force, le "style citoyenne" qu'elle avait prôné pendant sa campagne électorale. Elle n'a accédé aux demandes des écoliers qu'en partie, mais suffisamment pour que leurs parents soient satisfaits.

Le transport gratuit et des bourses ont été accordés aux plus démunis. Michelle Bachelet a également promis une réforme de l'enseignement garantissant une éducation de qualité. Une commission d'experts, de représentants sociaux et d'étudiants a été créée. La présidente socialiste a refusé en revanche de céder aux exigences des collégiens qui demandaient une représentation de 51 % au sein de ladite commission.

Malgré l'ouverture du dialogue, les protestations se sont poursuivies pendant le mois de juin avec deux grèves nationales successives, à l'appel des écoliers, soutenus par des étudiants universitaires, le syndicat des professeurs (100 000 adhérents) et des organisations sociales, qui ont paralysé les établissements scolaires. "Nous sommes pratiquement le dos au mur", confessait, à l'époque, le ministre de l'intérieur, Andres Zaldivar.

La présidente socialiste a publiquement réprimandé ses ministres : "J'ai besoin d'un gouvernement qui anticipe les problèmes et ne se contente pas de réagir." Puis, elle a procédé, fin juillet, à un remaniement du gouvernement. Les ministres de l'éducation, de l'intérieur et de l'économie ont été remplacés.

Les "pingouins" avaient gagné. Les occupations de collèges ont cessé, les lycéens ont repris le chemin de l'école. Mais le calme social n'est pas revenu pour autant. Des manifestations continuent d'éclater sporadiquement. En septembre, des grèves partielles ont été lancées par des syndicats des professeurs, des travailleurs de la santé et des agents du fisc, qui réclament des augmentations de salaires. A la mi-octobre, des incidents ont éclaté à Santiago entre manifestants et forces de l'ordre. Des cocktails Molotov ont explosé dans le patio de la Moneda, le palais présidentiel. Mme Bachelet a durci le ton, dénonçant "ceux qui veulent imposer le crime, la violence ou le vandalisme".

"Il y avait des manifestants masqués", déplore, de son côté, le ministre de l'intérieur, Belisario Velasco, qui entend "réprimer les excès pour défendre l'ordre public". " Ce sont les services de renseignement qui cherchent à nous infiltrer", assurent les lycéens, dont le front est désormais rongé par les divisions.

"Les "pingouins" ont remporté une victoire en installant le thème de l'éducation sur la place publique", reconnaît Paulina Veloso, secrétaire générale de la présidence et amie intime de Michelle Bachelet. Son fils, Nicolas Grau, a participé aux mobilisations en tant que président de la Fédération des étudiants du Chili (FECH). "Le mythe selon lequel les jeunes sont apathiques s'est écroulé", note Marta Lagos, qui dirige l'institut de sondages Mori. Elle estime que la révolte étudiante "reflète un malaise plus général, lié à l'exclusion et aux inégalités sociales".

Selon le Programme des Nations unies pour le développement, le décile le plus riche - 10 % de la population - détient près de la moitié des revenus. "Le phénomène étudiant coïncide avec le discours de Michelle Bachelet, qui a réclamé une plus grande participation des citoyens favorisant l'expression de demandes non satisfaites", relève l'analyste politique Carlos Pena.


Qualifié de "féminin" pour son ouverture au dialogue, le style Bachelet séduit à l'étranger. Elle fascine les femmes politiques, de Ségolène Royal, qui est allée à Santiago pour l'encourager avant le second tour, jusqu'à Michèle Alliot-Marie, la ministre de la défense, qui a assisté à son investiture, en passant par la chancelière allemande, Angela Merkel, qui lui a promis son soutien au sein de l'Union européenne.

Dans son pays, il en va autrement. Mme Bachelet bénéficie certes de la sympathie des citoyens, mais elle déconcerte les politiciens traditionnels et l'élite économique. La présidente chilienne a été tièdement applaudie, le 25 octobre, au cours du dîner de gala de l'Union industrielle (Sofofa), qui réunit chaque année les plus puissants hommes d'affaires du pays. A les écouter, tout va mal. Et, pourtant, le Chili est prospère. La croissance pour 2006 dépasse 5 %. L'excédent fiscal a atteint un niveau historique grâce au boom des prix du cuivre, la principale exportation. L'ouverture sur le monde a été consolidée par un traité de libre-échange avec la Chine, après ceux signés avec les Etats-Unis et l'Union européenne.

Mais beaucoup d'industriels sont inquiets. Ils rappellent qu'en août les travailleurs de la plus grande mine de cuivre du monde, Escondida, dans le nord du Chili, appartenant au groupe anglo-australien BHP Hilton, ont lancé une grève inédite. Ils reprochent à Mme Bachelet de "manquer d'autorité". "Elle a tout cédé aux étudiants, c'est la porte ouverte à d'autres revendications et au désordre", martèle l'un d'eux.

Des critiques similaires fusent dans l'opposition et même au sein des partis de la Concertation démocratique au pouvoir. "Le bateau prend l'eau", a lancé Sebastian Pinera, l'homme d'affaires millionnaire, candidat de la droite qui avait mis en ballottage Mme Bachelet en janvier, au premier tour de la présidentielle. La presse a qualifié de "style Mamie", les atermoiements de la chef de l'Etat face aux lycéens.

En quelques semaines, en mai, la révolte des "pingouins" avait fait chuter de plus de 7 points la popularité de Michelle Bachelet. La présidente chilienne a fait une sorte de mea culpa pour répondre aux critiques lui reprochant d'avoir minimisé la crise étudiante et d'avoir tardé à réagir : "Toute demande ne doit pas être vue comme un problème. Il ne faut pas avoir peur des mobilisations, des protestations et des différences."

Elle conserve aujourd'hui le soutien de plus de 53 % de la population, soit l'équivalent des votes qu'elle avait recueillis au second tour, le 15 janvier. Il est vrai qu'en neuf mois de gouvernement la présidente socialiste a tenu la majorité de ses promesses électorales, la plupart à caractère social. Pédiatre de formation, elle avait promis un vaste programme de protection sociale en faveur des plus vulnérables. Les soins sont désormais gratuits dans les hôpitaux pour les personnes de plus de 60 ans. Des garderies et des jardins d'enfants se sont ouverts pour faciliter la vie des femmes qui travaillent. Le minimum retraite a été augmenté de 20 % pour les personnes n'ayant pu cotiser ou ayant alimenté insuffisamment leurs plans épargne-retraite, seule couverture disponible. Les réformes de la présidente n'ont pas toutes fait l'unanimité.

Agnostique dans un pays où l'Eglise catholique est toute-puissante et où l'avortement est illégal, elle a légalisé en septembre l'accès à la pilule du lendemain pour les jeunes filles de plus de 14 ans sans le consentement de leurs parents, s'attirant ainsi l'hostilité de la Confédération épiscopale.

Pourtant, "les relations avec l'Eglise sont bonnes, car la présidente Bachelet a fait de la lutte contre les inégalités la priorité de son gouvernement", assure le Père jésuite Tony Mifsud..., avant d'ajouter insidieusement : "Il faut être réaliste, elle n'a pas l'expérience de Ricardo Lagos, qui était un grand homme d'Etat." M. Lagos, l'ex-président socialiste (2000-2006), a quitté le pouvoir avec plus de 70 % de popularité.

"Le Chili est un pays très conservateur, beaucoup de critiques s'expliquent parce que Michelle Bachelet est une femme. C'est une culture machiste qui ne s'est pourtant pas exprimée dans les urnes", rétorque malicieusement Sergio Bitar, le président du Parti pour la démocratie (PPD), membre de la Concertation démocratique. Analyse confirmée par l'homme de la rue : "On l'attaque parce que c'est une femme, elle est courageuse et charismatique", confie un vendeur de journaux.

"Nous ne la critiquons pas en tant que femme", corrige sereinement Guillermo Teillier, le président du Parti communiste, qui avait appelé à voter pour la candidate socialiste. Il rappelle que le PC a été dirigé pendant de longues années par une femme, Gladys Marin. "Nous ne nous sentons pas floués par Mme Bachelet, nous attendons de voir si elle pourra respecter ses engagements", ajoute le président du PC.

C'est bientôt l'été austral au Chili. La commission d'experts chargée d'étudier une réforme de l'éducation doit remettre ses conclusions le 11 décembre. Les longues vacances devraient constituer une trêve jusqu'à la rentrée de mars. La révolte des "pingouins" a été un coup de semonce. "Les lycéens ont tiré la sonnette d'alarme. Les Chiliens savent qu'ils ont une démocratie solide, et ils vont commencer à réclamer leur part du gâteau", explique Marta Lagos, qui n'écarte pas un Mai 68 chilien.

Un Mai 68 ? "Impensable !", s'exclame Carlos Pena : "Les jeunes qui sont à l'Université appartiennent à une élite économique, les ouvriers vivent beaucoup mieux que dans les années 1970 et 1980, et le Chili est un pays raisonnable, à l'abri de tout populisme." Reste, pour la présidente, un énorme défi à relever d'ici à la fin de son mandat, en 2010 : promouvoir une plus grande égalité entre les citoyens. Au Chili, la pauvreté frappe encore 18 % d'une population de 16 millions d'habitants.

Le Monde

Livros

"Publicar o primeiro livro, hoje, em Portugal, não parece difícil. Não tanto, decerto, como há vinte, trinta anos.

Diz a este propósito Mário de Carvalho: «Hoje é relativamente fácil publicar. Toda a gente escreve, toda a gente publica, há quem se indigne e proteste, os taradinhos da economia avisam que o mercado - o enjoo que este substantivo já provoca - não aguenta. Não estou nada preocupado. Ou melhor, não acrescento esta às preocupações que partilho com qualquer cidadão sensato».

De sobejo sabe, o autor de «Um deus passeando pela brisa da tarde», da «paraliteratura», do «lixo», do «disparate» em doses calamitosas que inundam as livrarias. E daí? É ainda ele quem dá a resposta: «Sou, em absoluto, pela alfabetização das massas. Se as massas, depois, consomem bodegas, é com elas. Quando eu nasci, quase metade da população era analfabeta.

Antes a quero a soletrar essas livralhadas de capas furta-cores que há para aí, que, desbarretada, a ouvir o senhor prior ler `A rosa do adro`». "

RTP (com Lusa)

protestos contra as aulas de substituição

Contra as aulas de substituição


Alunos de secundárias do país participam em protesto convocado por SMS
16.11.2006 - 10h45 Lusa

Alunos de escolas secundárias em vários pontos do país organizaram esta manhã protestos contra as aulas de substituição, numa acção convocada ao longo dos últimos dias por mensagens de telemóvel e pela Internet. Várias escolas tinham os portões fechados a cadeado e houve pequenas manifestações.

Na escola Filipa de Lencastre, em Lisboa, havia esta manhã dezenas de alunos em protesto na sequência de uma convocatória por SMS para uma "greve nacional de alunos", hoje, "contra as aulas de substituição".


"Greve de alunos 16 de novembro contra as substituições. mensagem a rodar. passem!" é a mensagem que circula desde o início do mês por telemóveis e por sistemas de conversação instantânea na Internet, disse à Lusa um dos alunos daquela escola.


Também nas escolas Fonseca Benevides e Secundária da Pontinha, ambas em Lisboa, os alunos realizaram protestos, fechando os portões a cadeado.


Noutra escola da Pontinha, a Básica do Segundo e Terceiro Ciclos, os alunos impediram a entrada dos professores cerca das 08h30, pelo que os docentes tiveram de chamar a polícia. De acordo com uma professora daquela escola, apenas às 09h00 e depois de intervenção policial os docentes puderam entrar no recinto.


Também hoje de manhã, os alunos da escola Secundária e de Ensino Básico Pedro Nunes, em Alcácer do Sal, realizaram uma concentração à porta da escola, seguido de um desfile pelas ruas de Alcácer.


Os estudantes protestam contra os exames nacionais, pelo fim das aulas de substituição, pela implementação da educação sexual nas escolas e contra os e levados custos do ensino.


Os alunos da Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol, na Madeira, mantiveram encerrados durante cerca de 30 minutos os portões do estabelecimento de ensino, em protesto contra as aulas de substituição.


Um aluno da Escola Secundária de Miranda do Corvo disse à Lusa ter recebido o SMS mas afirmou que a associação de estudantes desta escola optou por não aderir ao protesto.

No Publico



Finalmente alguma reacção dos estudantes portugueses, que são manipulados e desprezados quando se trata de "reformas" sobre as escolas. Os professores podiam ter-se juntado ao protesto, em vez de chamarem a polícia... Só através da cooperação os professores e os alunos vão conseguir alguma coisa contra esta política puramente económica do Ministério da Educação. Chega de péssima qualidade de ensino, chega de desculpas. Reformas sim, mas a pensar nos alunos e nos docentes!

Falta credibilidade às greves do ensino secundário. Encontrei um texto na internet de um aluno do 12° em 2003, o Bernardo, que diz o seguinte: "mais uma manifestação de estudantes do secundário, mais um circo lamentável. Acredito na importância da luta pelos direitos que são inatos à nossa existência, nos quais se inclui o acesso a uma educação de qualidade. Contudo, creio isso não se desenvolve com este género de infantilidades, que, na minha óptica, não têm qualquer coerência e cabimento." A greve não é uma infantilidade. É um meio de acção, que funciona se usado correctamente. É necessario organização, comités de greve, alunos responsaveis por fazer circular a informação (com cartazes, panfletos, reuniões de informação, etc.). A greve não é ir para a rua e faltar às aulas. Infelizmente, em Portugal esses meios de acção nunca são valorizados nem dados a conhecer. Ninguém sabe organizar uma greve independentemente dos partidos politicos. Voltando ao Bernardo, "Os alunos (um dos quais eu) são confrontados com a(s) greve(s) dias antes desta(s). Como é óbvio, não é possível que um aluno participe nestas suficientemente esclarecido quando recebe um papel (normalmente no próprio dia) com dois ou três tópicos que presidem à luta, por mais elucidativos que sejam." As desculpas do 25 de Abril e do "ai, temos uma democracia recente" já estão gastas. Inspirem-se nos exemplos europeus (Grécia, França), ou mesmo da América do Sul (Chile, Peru). Os estudantes têm que se fazer ouvir quanto às decisões tomadas pelo poder político, e podem começar por se fazerem ouvir uns aos outros.

déterritorialisation

Si penser vraiment, c’est penser en termes d’événement – et non plus en référence à une stabilité, écrire, c’est aussi risquer le décentrement, le mouvement, le départ ; se mettre en route : chez Deleuze, c’est se faire géographe, et ça se dit aussi : " déterritorialisation ".
http://www.remue.net/cont/barnaud07deleuze.html

O que se anda a passar...

Referendo no Dakota do Sul sobre o aborto:

"La victoire de ce soir appartient aux gens du Dakota du Sud qui se sont battus contre cette intrusion politique dans des décisions personnelles et privées", s'est félicitée à l'annonce du rejet Nancy Keenan, présidente de l'association de défense de l'avortement Naral, qui a activement participé à la campagne contre la loi."Les habitants du Dakota du Sud ont réaffirmé que le droit de choisir devait être entre une femme, son médecin, sa famille et son dieu, pas le législateur", a-t-elle ajouté.
LeMonde


Jardim diz que discurso de Sócrates foi "mal educado, mentiroso e doentio" (mais nada??)
O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, classificou hoje como "mal educado, mentiroso e doentio" o discurso do primeiro-ministro, José Sócrates, na abertura do debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2007, na Assembleia da República. (...) "É doentio porque o secretário-geral do PS revela uma obsessão fixada na Madeira e na minha pessoa que merece uma atenta e cuidada análise clínica", concluiu Alberto João Jardim.
Publico



Nicaragua: victoria de Daniel Ortega

La probable victoire de l'ex-révolutionnaire Daniel Ortega au Nicaragua est la preuve, selon Hugo Chávez, que «les peuples se lèvent à nouveau». (...) Malgré les incantations de Hugo Chávez, aucun «peuple» ne s'est «levé» au Nicaragua. Daniel Ortega, qui fait son plus mauvais score depuis 1990 ­ depuis qu'il tente de revenir au pouvoir par les urnes ­, ne doit sa probable victoire qu'à la désunion, pour la première fois, de la droite nicaraguayenne. A 60 ans, le secrétaire général du Front sandiniste de libération nationale (FSLN) a depuis longtemps abandonné son treillis de guérillero. Dans ses meetings et son programme, il ne parle que de «paix», de «réconciliation», d' «économie de marché», de Dieu, du Christ et de Jean Paul II.
Libération


Indignação de Pitt

O actor Brad Pitt está indignado pelo facto de a edição de Dezembro da revista Vanity Fair publicar na capa uma fotografia sua em que aparece com o corpo sugestivamente molhado e vestido apenas com boxers. (não vejo onde esta o problema...)
DD

A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafon


"Numa manhã de 1945 um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona. Juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, "A Sombra do Vento" é sobretudo uma trágica história de amor cujo o eco se projecta através do tempo. "


Obrigada miga por teres partilhado o Ruiz comigo (em portugues!)

férias ou kind of





Em Viena. E na Holanda (2dias).

Back to Home Back to Top Nomadismes. Theme ligneous by pure-essence.net. Bloggerized by Chica Blogger.