Beckett rehearsing Footfalls with Billie Whitelaw at the Royal Court Theatre, 1976.
Billie Whitelaw in Happy Days Royal Court Theatre, London, 1979.
Eu concordo!!!!

A minha ultima sondagem e a minha equipa, Bounchun, Prida e Konthip

Je cherche désespéramment


A musica começa a ficar mais pesada do que o meu estado de espirito. Respiro vanidade, em vez de oxigénio. E os anéis das minhas mãos apertam-me os dedos. E o suor debaixo dos braços confunde-se com um odor distante de desodorizante. é tempo de ir, ja chegaste, eu também e viva a inospitalidade dos dias.
Paris été 2006
Já passa da hora e ainda tenho de aturar este cretino deste genro, depois de ter enterrado dois maridos. Logo hoje que não tenho vagar. E o fulano a gesticular com as mãos papudas e ar de fedelho enfezado e insolente: Não ponho mais os pés nesta tasca cheia de lesmas a treparem pelas paredes e esta mulher que nem sabe escrever. Lesma é você, seu malcriado! desampare-me a loja que já pus o letreiro lá fora. não tarda tenho a clientela à porta a pedir-me travessas de caracóis e canja de galinha e não são os acentos nem os hagás que os vão servir, diz Maria Carlota ainda com esperança que lhe aviem aquela sopa gumosa com pedaços de cenoura cortadas pela metade. O que a safa é que há caracóis, com ou sem h, com ou sem acento. O genro afasta-se com passos de carroça e já da rua lança o último insulto, com as bochechas a transbordar de cuspo e despeito: Mais valia continuar a distribuir lã pela Baixa e pelo Verão a dentro, como fazia a parva da sua mãe. E a Maria Carlota esquece a sopa mais do que destinada a ser queimada no fogão, mas é a memória que arde e que sobe a Travessa Terras Monte, os ombros e a voz mais céleres que as pernas, os ombros e a voz a oscilarem de um lado para o outro. Do ombro esquerdo a injúria declamada e esplendorosa, com a mão a terminar na anca e a apoiar-se no rim. No ombro direito repousa de quando em quando a voz do apelo a ganhar fôlego, com o braço e a mão a gesticularem e a mandarem entrar a clientela esquecida dos caracóis, porque a fome de ouvir injúrias é bem maior que o apetite do petisco. O braço que gesticula, em breve se esquece do apelo e desce em direcção à anca para se apoiar no outro rim, porque é daí que a injúria se transforma em pregão. Pregão que sai desnorteado pela Rua Rosalina a fora para ir dar à Rua da Graça. Não fosse a clientela da Maria Carlota um maralhal de vizinhas sedentas por apregoar, já o enfezado do genro deve ter dobrado a esquina dos Anjos e ainda se ouvem as mulheres a coleccionarem insultos e pragas, junto ao mercado de sapadores. No apregoar é que está o ganho, Maria Carlota. E por pior que seja a tua tasca, não há pregão que dê mais sede que o teu.
Ambiguity is one reason why computers do not yet understand natural language. For some reason, we have found it valuable to use a highly ambiguous form of natural communication between us.
[in Here]
nov06
"Pour avoir publié un dossier sur les "noukat" (blagues) qui circulent au Maroc, le directeur et un journaliste de Nichane sont aujourd’hui poursuivis par l’Etat pour "atteinte aux valeurs sacrées", et plus particulièrement à celles ayant trait à la religion islamique. Cette accusation est la plus grave qui soit prévue dans l’arsenal juridique marocain, et expose nos collègues et amis à 3 à 5 ans de prison, ainsi qu’à l’interdiction temporaire de parution de Nichane – si la justice tranche dans ce sens.
Mais sans attendre l’issue du procès, le premier ministre a déjà décidé, au nom du gouvernement marocain, l’interdiction pure et simple de Nichane."
Assinar a Petição
[ Julgamento, 3 anos de prisão (adiada a pena) e cerca de 7200€ de multa ]
Alguns defensores do Não argumentam que a relização de abortos sobrecarregará de forma intolerável o Serviço Nacional de Saúde, tanto em termos financeiros, como em termos de aumento das listas de espera para a realização de cirurgias.
Isto é falso. A maior parte dos abortos não requer hoje em dia qualquer cirurgia. Até às nove semanas de gravidez, o aborto pode em geral ser efectuado, de forma totalmente eficaz e segura, por meios químicos, através da ingestão de apenas dois comprimidos. A mulher faz uma ecografia na qual a idade do embrião é verificada através da medição do seu comprimento, o médico receita-lhe os comprimidos abortivos, que a mulher compra na farmácia e toma em sua própria casa. Uma segunda ecogafia será depois necessária para verificar que o embrião foi adequadamente expulso. Não há lugar a qualquer cirurgia, e as despesas para o Serviço Nacional de Saúde (duas ecografia, uma consulta médica, e uma caixa de comprimidos) são marginais quando comparadas com as despesas que este enfrenta com qualquer gravidez que seja levada ao seu termo.
Dados de clínicas espanholas indicam que 85% das mulheres portuguesas que nelas realizam aborto o fazem quando a gravidez tem menos de dez semanas. É de estimar, pois, que a imensa maior parte dos abortos a realizar ao abrigo da despenalização o possa ser de forma química e, portanto, com custos muito reduzidos.
De qualquer forma, a penalização do aborto hoje existente também tem custos muito elevados. O Serviço Nacional de Saúde é obrigado, na urgência, a acudir a mulheres a quem foram efectuados abortos de forma incorrecta e arriscada, com graves consequências -- por vezes irreversíveis -- para a saúde dessas mulheres. Esse atendimento de mulheres nas urgências hospitalares tem custos muito superiores aos do procedimento abortivo anteriormente descrito. Também a perseguição policial e judicial em casos de aborto tem custos, em termos de meios técnicos e humanos da polícia e dos tribunais que estão a ser delapidados na perseguição, frequentemente infrutífera, ao crime de aborto.
É importante também saber que o Serviço Nacional de Saúde não será provavelmente utilizado para se realizarem a maior parte dos abortos, tal como acontece em muitos outros países, onde as clínicas privadas são efectua a maior parte das IVGs.
Os defensores do Não argumentam que não há qualquer razão para o prazo de dez semanas estipulado no referendo, e sugerem que, uma vez esse prazo aceite, qualquer outro prazo, mais alargado, poderá vir a ser no futuro igualmente tolerado.
O prazo de dez semanas é um compromisso entre o direito à vida e o direito ao planeamento familiar. É um compromisso realista, exequível. A imensa maior parte das mulheres que deseja abortar fá-lo sem problemas até às dez semanas da gravidez, conforme indica a prática das clínicas espanholas. Sendo uma solução de compromisso, o prazo de dez semanas não é imutável; não há, no entanto, quaisquer razões para que, num qualquer futuro, se venha a despenalizar o aborto num prazo mais alargado.
O prazo de dez semanas, de um ponto de vista científico, corresponde à passagem do estado de embrião ao estado de feto. Um embrião de dez semanas não tem Sistema Nervoso Central e, como tal, não sofre dôr nem tem consciência de si mesmo. À realização de um aborto dentro desse prazo não corresponde portanto qualquer experiência dolorosa ou traumática para o embrião abortado.
Até à oitava semana de gestação, o termo científico correcto que se deve usar é embrião, e usa-se este termo precisamente para indicar que o seu desenvolvimento ainda está nos estados iniciais. Por exemplo, até à oitava semana de gestação (décima de gravidez) ainda não existem as células que irão constituir os ossos e os músculos e os órgãos vitais ainda são imaturos. Também o sistema nervoso apenas está a dar os seus primeiros passos à oitava semana de gestação, o que descarta qualquer hipótese de consciência ou dor. Nesta fase o tamanho do embrião é de 27 a 35 mm.
Dificilmente poderá usar-se a existência de um coração (um músculo), como aquilo que determina se um ser deve ser em fase embrionária já deve ter direitos iguais equivalentes ao de um ser humano. Inclusivamente tal argumento é falacioso, pois, tal significaria que se poderia abortar antes das seis semanas de gestação (oitava de gravidez)?
Alguns defensores do Não argumentam que se deve lutar firmemente contra o aborto através de uma maior disseminação dos meios contraceptivos e da educação sexual. A maior parte das pessoas concorda, de facto, com essa disseminação. Infelizmente, no entanto, a contracepção não impede a necessidade de, como último recurso, realizar abortos. Todos os métodos contraceptivos são falíveis, por razões técnicas ou humanas. Os preservativos rompem-se ou são mal colocados, as pílulas são ineficazes se tomadas em conjunção com um antibiótico, ou então as mulheres esquecem-se de as tomar, etc.
Uma mulher que decida ser sexualmente activa deve sempre ter em mente que todos os métodos de contracepção falham. Mesmo para quem usa um método contraceptivo na perfeição, não há garantias quanto à impossibilidade de engravidar. Se o seu método de contracepção tiver uma taxa de falha média de 18%, ao longo de cinco anos a hipótese de uma mulher engravidar é superior a 50%. Durante esses cinco anos, 63 em cada 100 mulheres usando um diafragma irão ficar pelo menos uma vez grávidas. 20% das mulheres jovens que iniciam a sua actividade sexual ficam grávidas durante o seu primeiro mês de actividade e 50% ficam grávidas durante os primeiros seis meses. A mulher média que utiliza contracepção reversível pode esperar ter duas gravidezes não desejadas durante a sua vida ou mesmo mais se não usar sempre contracepção. Mesmo um baixo risco de falha ao nível do contraceptivo implica um alto risco de gravidez durante uma vida de utilização desse mesmo contraceptivo.
Fonte: Contraceptive Information Resource
Alguns defensores do Não argumentam que a autorização do pai do embrião deveria ser necessária para a realização de um aborto. Este argumento esbarra na incapacidade prática de se saber quem é esse pai antes das 11 a 13 semanas de gravidez. Após este prazo, existem testes, mas que que implicam riscos de malformação fetal. Por isso, até às 10 semanas, apenas a mulher sabe com quem teve relações sexuais e quem poderá ser o pai do embrião, mas ela pode não o querer confessar. Mesmo que a mulher afirme que o pai é um determinado homem, e mesmo que esse homem confirme, não há forma de se saber, antes da realização do aborto, se eles estão a falar verdade. É espúrio condicionar legalmente a realização do aborto ao assentimento de um qualquer homem, quando não se sabe se, de facto, esse homem é mesmo o pai do embrião a abortar.
Este argumento é baseado numa comparação desonesta do ponto de vista intelectual, assim não nos parece útil esgrimir argumentos sobre algo que é absurdo comparar (crime económico / interrupção voluntária da gravidez). Adianta apenas referir que, são um grave e frequente problema de saúde, com consequências agudas e crónicas. Para além das gravíssimas implicações na saúde da mulher, determinam gastos directos e indirectos que sobrecarregam, de modo significativo, o orçamento do SNS. Também é importante saber que quem não pode comportar uma deslocação ao estrangeiro, é quem acaba por aceitar fazer o aborto em condições menos dignas, ou seja a maioria da população.
Há quem pretenda fazer crer que a questão do aborto é uma oportunidade para medir forças entre a esquerda e a direita. Ora não há nada mais falso do que isto. Há muitas pessoas de direita que são a favor de leis menos rígidas, enquanto outros de esquerda (e mesmo de extrema-esquerda, pois convém lembrar que a prática do aborto na maioria dos regimes comunistas do leste poderia implicar pena de morte) que são marcadamente contra o aborto.
Talvez o problema se coloque mais ao nível da crença religiosa, daí a confusão; visto existir uma parte da direita ligada aos sectores mais tradicionais da igreja e uma esquerda em geral tradicionalmente anti-clerical, que gosta de, irreflectidamente, combater todas as posições religiosas, o que frequentemente resulta neste tipo de leituras simplistas.
Quem defende a manutenção da lei, alegando que esta salvaguarda os casos em que existe risco de vida para a mulher ou em que ela é violada, esquece-se que existem mulheres que são violadas pelos companheiros no seu próprio lar, encobrindo esta situação por medo ou por vergonha. Estas mulheres, vitimas de violência doméstica, são também discriminadas, pois não podem provar que foram vitimas de violação, sendo impedidas de praticar aborto.
O momento do início da vida é impossível de determinar. Trata-se de um processo contínuo. Às dez semanas sabemos que o embrião não tem ainda actividade cerebral e portanto não tem consciência. Só adquire estas capacidades mais tarde, e fá-lo de forma progressiva de modo a que é impossível afirmar um momento exacto. A protecção legal e social que é dada a um ser humano não precisa portanto de se estender a um embrião.
Toda e qualquer decisão sobre o momento a partir do qual é concedida protecção legal possui alguma arbitrariedade. As dez semanas são um compromisso, e até um compromisso cauteloso.
Sem dúvida. Mas os direitos humanos são convenções sociais, que são atribuídos aos seres humanos por mútuo acordo, e através da concordância ética de grande parte da sociedade. Ora, muitas pessoas consideram que um embrião humano não tem ainda todas as faculdades que lhe conferem a dignidade de um ser humano, e não pode portanto ter todos os direitos concomitantes.
Por exemplo, um embrião vítima de um aborto natural não tem em geral direito a funeral e a uma campa. Não lhe é dado um nome, nem são feitos serviços religiosos em sua honra.
Este é um entendimento comum, mas não universal. Em nosso entender, na dúvida deve-se optar pela liberdade. Na dúvida, deve-se dar às pessoas a liberdade de decidirem de acordo com a sua consciência.
Qualquer pessoa individual terá a liberdade de considerar que o seu filho embrião tem toda a dignidade e que tem o direito à vida. Mas, a Lei não deve nem tem necessidade de impor esse entendimento a todos.
A Lei a ser referendada não pretende decidir da vida ou da morte de ninguém. Pretende apenas conceder às mulheres grávidas, em certas condições, o direito de decidir da vida ou da morte do embrião que transportam dentro de si, e só dele. Só essas mulheres julgarão se lhes é ou não legítimo tomar essa decisão. As mulheres que acharem que não é legítimo matarem o embrião que transportam dentro de si, terão a liberdade de não o fazer.
Isto é sobretudo verdade no caso de abortos realizados na clandestinidade e/ou em más condições sanitárias, como actualmente. Em todo o caso, não compete à Lei proteger as pessoas, contra a sua vontade, de experiências que eventualmente se lhes possam revelar traumáticas ou geradoras de depressões.
Essas dificuldades e carências poderão não ser resolvidas pelo aborto, mas eventualmente tornar-se-iam muito mais graves caso a gravidez fosse levada por diante. Uma mãe com um emprego precário, por exemplo, pode ver a sua situação muito agravada no caso de decidir levar a sua gravidez por diante - pode acabar por perder o emprego. Neste caso, o aborto não resolve a situação de precariedade laboral, mas impede que ela desemboque num despedimento. Outro exemplo: uma mãe adolescente a estudar, não melhorará a situação dos seus estudos caso realize um aborto - mas tem toda a probabilidade de piorar esses estudos caso decida, pelo contrário, levar a gravidez a termo.
O embrião ou feto não tem sistema nervoso central antes das 12 semanas de gravidez. Não sente dor durante a realização do aborto. Muito menos tem a capacidade de comunicar quaisquer sensações. Não tem sequer consciência.
É sem dúvida penoso pensar que algumas mulheres possam utilizar aborto como um substituto da contracepção. No entanto, dado que a realização de um aborto não é isenta de riscos para a saúde, não é isenta de sofrimento físico e psicológico, será utilizado pela esmagadora maioria das mulheres apenas como um método de último recurso para evitar uma gravidez indesejada.
Que juiz tem o direito de efectuar tal julgamento? Que juiz pode legitimamente condenar uma mulher que abortou? Haverá um veredicto no qual toda a sociedade se possa rever? Um julgamento sobre um caso de aborto não reflectirá sobremaneira, apenas, as convicções morais próprias de cada juiz particular? E tem sentido procurar arrastar para julgamento os milhares de mulheres que, anualmente, abortam em Portugal?
A despenalização do aborto é um compromisso entre o direito à vida e o direito a não se dar à luz uma criança indesejada. Como tal, tem que haver um limite, o qual é necessariamente artificial. A Lei está cheia de compromissos e de limites artificiais. Por exemplo, conduzir um automóvel com 0,5 gramas de álcool por litro de sangue é legal, se forem 0,51 gramas já é ilegal. Conduzir numa auto-estrada a 120 km/hora é legal, a 121 km/hora já não o é. Ninguém, a não ser os mais fundamentalistas, defende que a resolução de tais situações deva ser a proibição total.
Isto é sem dúvida verdade. Mas, ao despenalizar-se o aborto, permite-se que pelo menos algumas mulheres realizem o aborto em muito melhores condições de segurança. Dá-se às mulheres a possibilidade de realizar o aborto de forma segura.
Sem dúvida. Mas um aborto realizado de forma clandestina, mesmo que por um profissional qualificado, nunca usufrui das mesmas condições de segurança que um aborto realizado em meio hospitalar, no qual todos os meios de socorro estão à mão. Por esta mesma razão se tenta que os partos sejam realizados em maternidades, e não em casa das mães...
Trata-se de situações incomparáveis do ponto de vista moral, no entendimento de grande parte das pessoas. Não se despenaliza o aborto apenas por ele ser muito frequente, mas também porque, no entendimento de grande parte das pessoas, o aborto não causa um prejuízo moral claro a ninguém. Pelo contrário, no caso do roubo ou da violência doméstica, entende-se que são práticas moralmente graves e que prejudicam de forma muito clara alguém. Ou seja, não pretendemos que o aborto seja despenalizado apenas para lhe conceder condições de segurança e apenas porque se trata de uma prática muito frequente, mas também porque sabemos que a sua condenação moral é, no entender de muitas pessoas, duvidosa ou inexistente.
| São um modelo | |
| Pois, mas não têm sol |
LE MONDE | 29.11.06 | 16h12 • Mis à jour le 29.11.06 | 16h12
On les a surnommés les "pingouins" par référence à leurs uniformes bleu marine et à leurs chemisiers blancs de collégiens. Ils ont 17 ans. Ils ont grandi en démocratie. Pour eux, la dictature militaire (1973-1990) et le général Augusto Pinochet, c'est du passé. Pourtant, ils accusent : "Peu importe que ce soit une femme. Nous ne croyons pas dans les politiciens. Nous n'attendons rien de Michelle Bachelet." Le ton intolérant de Maria Jesus Sanhueza et de Max Mellado contraste avec leurs sourires d'adolescents. Ils sont les principaux dirigeants de la révolte étudiante qui a ébranlé Michelle Bachelet, quelques mois seulement après l'arrivée au pouvoir de la première femme élue présidente du Chili.
Que reprochent-ils à ce gouvernement socialiste ? Tout bonnement de recourir à des méthodes "dictatoriales" : "2 500 collégiens ont été interpellés en mai, 100 ont été expulsés de leur collège", dénonce Maria Jesus, qui a été mise à la porte de son école à cause de son militantisme.
Les portables n'arrêtent pas de sonner. Une réunion est aussitôt organisée, ce 26 octobre, Plaza Italia. Les rassemblements ont été interdits dans le centre-ville mais les collégiens se retrouvent dans leurs quartiers. "Avec nos portables, Internet et MSN nous communiquons rapidement. Les adultes sont dépassés !", se réjouit Max, fier que leur mouvement ait déjà entraîné la chute de trois ministres.
Il réclame que l'Etat reprenne en charge l'éducation, privatisée par Pinochet. Toutes les universités sont payantes. "Le salaire minimum est de 120 000 pesos et une université coûte 200 000 pesos par mois", souligne Max. Le gouvernement s'est engagé à réformer la loi sur l'éducation. "Dans combien de temps ?", s'exclame Maria Jesus, qui annonce la tenue d'un congrès national des étudiants, fin novembre.
Tout a commencé à la fin avril. Des centaines de milliers d'élèves du secondaire sont descendus dans les rues à travers le Chili pour dénoncer, entre autres, la mauvaise qualité de l'enseignement et les inégalités entre le privé et le public. Ils réclamaient la gratuité des transports pour les écoliers et celle du baccalauréat. Baptisée "la révolte des pingouins", par plaisanterie, cette fronde inédite a surpris tout le monde, à commencer par la présidente socialiste, qui avait pris ses fonctions le 11 mars.
Pour la première fois depuis seize ans, un gouvernement de la Concertation démocratique - la coalition de centre-gauche regroupant démocrates-chrétiens, socialistes et radicaux, au pouvoir depuis le retour de la démocratie - affrontait une vaste protestation sociale. Le mouvement bénéficiait, selon les sondages, d'un soutien populaire de 83 %.
Depuis le retour de la démocratie en 1990, la pauvreté a certes été réduite de moitié et le budget de l'éducation a été multiplié par trois. Mais le Chili reste un des pays les plus inégalitaires d'Amérique latine en matière de redistribution des revenus, et l'éducation, moteur de l'ascenseur social, reste peu accessible aux plus démunis. Pendant un mois, les monômes ont peu à peu pris de l'ampleur, avec le soutien des parents. Le 30 mai, une manifestation à Santiago du Chili a été durement réprimée. Plusieurs centaines d'étudiants ont été interpellés. Les images montrant des policiers battant des écoliers et des journalistes ont suscité une vive émotion. Mme Bachelet, 55 ans, qui avait été torturée pendant la dictature, s'est indignée, qualifiant de "légitimes" les revendications des étudiants. Elle a limogé le chef des forces spéciales de la police.
Cette mère de famille divorcée, qui a élevé seule ses trois enfants, a dû inaugurer, par la force, le "style citoyenne" qu'elle avait prôné pendant sa campagne électorale. Elle n'a accédé aux demandes des écoliers qu'en partie, mais suffisamment pour que leurs parents soient satisfaits.
Le transport gratuit et des bourses ont été accordés aux plus démunis. Michelle Bachelet a également promis une réforme de l'enseignement garantissant une éducation de qualité. Une commission d'experts, de représentants sociaux et d'étudiants a été créée. La présidente socialiste a refusé en revanche de céder aux exigences des collégiens qui demandaient une représentation de 51 % au sein de ladite commission.
Malgré l'ouverture du dialogue, les protestations se sont poursuivies pendant le mois de juin avec deux grèves nationales successives, à l'appel des écoliers, soutenus par des étudiants universitaires, le syndicat des professeurs (100 000 adhérents) et des organisations sociales, qui ont paralysé les établissements scolaires. "Nous sommes pratiquement le dos au mur", confessait, à l'époque, le ministre de l'intérieur, Andres Zaldivar.
La présidente socialiste a publiquement réprimandé ses ministres : "J'ai besoin d'un gouvernement qui anticipe les problèmes et ne se contente pas de réagir." Puis, elle a procédé, fin juillet, à un remaniement du gouvernement. Les ministres de l'éducation, de l'intérieur et de l'économie ont été remplacés.
Les "pingouins" avaient gagné. Les occupations de collèges ont cessé, les lycéens ont repris le chemin de l'école. Mais le calme social n'est pas revenu pour autant. Des manifestations continuent d'éclater sporadiquement. En septembre, des grèves partielles ont été lancées par des syndicats des professeurs, des travailleurs de la santé et des agents du fisc, qui réclament des augmentations de salaires. A la mi-octobre, des incidents ont éclaté à Santiago entre manifestants et forces de l'ordre. Des cocktails Molotov ont explosé dans le patio de la Moneda, le palais présidentiel. Mme Bachelet a durci le ton, dénonçant "ceux qui veulent imposer le crime, la violence ou le vandalisme".
"Il y avait des manifestants masqués", déplore, de son côté, le ministre de l'intérieur, Belisario Velasco, qui entend "réprimer les excès pour défendre l'ordre public". " Ce sont les services de renseignement qui cherchent à nous infiltrer", assurent les lycéens, dont le front est désormais rongé par les divisions.
"Les "pingouins" ont remporté une victoire en installant le thème de l'éducation sur la place publique", reconnaît Paulina Veloso, secrétaire générale de la présidence et amie intime de Michelle Bachelet. Son fils, Nicolas Grau, a participé aux mobilisations en tant que président de la Fédération des étudiants du Chili (FECH). "Le mythe selon lequel les jeunes sont apathiques s'est écroulé", note Marta Lagos, qui dirige l'institut de sondages Mori. Elle estime que la révolte étudiante "reflète un malaise plus général, lié à l'exclusion et aux inégalités sociales".
Selon le Programme des Nations unies pour le développement, le décile le plus riche - 10 % de la population - détient près de la moitié des revenus. "Le phénomène étudiant coïncide avec le discours de Michelle Bachelet, qui a réclamé une plus grande participation des citoyens favorisant l'expression de demandes non satisfaites", relève l'analyste politique Carlos Pena.
Qualifié de "féminin" pour son ouverture au dialogue, le style Bachelet séduit à l'étranger. Elle fascine les femmes politiques, de Ségolène Royal, qui est allée à Santiago pour l'encourager avant le second tour, jusqu'à Michèle Alliot-Marie, la ministre de la défense, qui a assisté à son investiture, en passant par la chancelière allemande, Angela Merkel, qui lui a promis son soutien au sein de l'Union européenne.
Dans son pays, il en va autrement. Mme Bachelet bénéficie certes de la sympathie des citoyens, mais elle déconcerte les politiciens traditionnels et l'élite économique. La présidente chilienne a été tièdement applaudie, le 25 octobre, au cours du dîner de gala de l'Union industrielle (Sofofa), qui réunit chaque année les plus puissants hommes d'affaires du pays. A les écouter, tout va mal. Et, pourtant, le Chili est prospère. La croissance pour 2006 dépasse 5 %. L'excédent fiscal a atteint un niveau historique grâce au boom des prix du cuivre, la principale exportation. L'ouverture sur le monde a été consolidée par un traité de libre-échange avec la Chine, après ceux signés avec les Etats-Unis et l'Union européenne.
Mais beaucoup d'industriels sont inquiets. Ils rappellent qu'en août les travailleurs de la plus grande mine de cuivre du monde, Escondida, dans le nord du Chili, appartenant au groupe anglo-australien BHP Hilton, ont lancé une grève inédite. Ils reprochent à Mme Bachelet de "manquer d'autorité". "Elle a tout cédé aux étudiants, c'est la porte ouverte à d'autres revendications et au désordre", martèle l'un d'eux.
Des critiques similaires fusent dans l'opposition et même au sein des partis de la Concertation démocratique au pouvoir. "Le bateau prend l'eau", a lancé Sebastian Pinera, l'homme d'affaires millionnaire, candidat de la droite qui avait mis en ballottage Mme Bachelet en janvier, au premier tour de la présidentielle. La presse a qualifié de "style Mamie", les atermoiements de la chef de l'Etat face aux lycéens.
En quelques semaines, en mai, la révolte des "pingouins" avait fait chuter de plus de 7 points la popularité de Michelle Bachelet. La présidente chilienne a fait une sorte de mea culpa pour répondre aux critiques lui reprochant d'avoir minimisé la crise étudiante et d'avoir tardé à réagir : "Toute demande ne doit pas être vue comme un problème. Il ne faut pas avoir peur des mobilisations, des protestations et des différences."
Elle conserve aujourd'hui le soutien de plus de 53 % de la population, soit l'équivalent des votes qu'elle avait recueillis au second tour, le 15 janvier. Il est vrai qu'en neuf mois de gouvernement la présidente socialiste a tenu la majorité de ses promesses électorales, la plupart à caractère social. Pédiatre de formation, elle avait promis un vaste programme de protection sociale en faveur des plus vulnérables. Les soins sont désormais gratuits dans les hôpitaux pour les personnes de plus de 60 ans. Des garderies et des jardins d'enfants se sont ouverts pour faciliter la vie des femmes qui travaillent. Le minimum retraite a été augmenté de 20 % pour les personnes n'ayant pu cotiser ou ayant alimenté insuffisamment leurs plans épargne-retraite, seule couverture disponible. Les réformes de la présidente n'ont pas toutes fait l'unanimité.
Agnostique dans un pays où l'Eglise catholique est toute-puissante et où l'avortement est illégal, elle a légalisé en septembre l'accès à la pilule du lendemain pour les jeunes filles de plus de 14 ans sans le consentement de leurs parents, s'attirant ainsi l'hostilité de la Confédération épiscopale.
Pourtant, "les relations avec l'Eglise sont bonnes, car la présidente Bachelet a fait de la lutte contre les inégalités la priorité de son gouvernement", assure le Père jésuite Tony Mifsud..., avant d'ajouter insidieusement : "Il faut être réaliste, elle n'a pas l'expérience de Ricardo Lagos, qui était un grand homme d'Etat." M. Lagos, l'ex-président socialiste (2000-2006), a quitté le pouvoir avec plus de 70 % de popularité.
"Le Chili est un pays très conservateur, beaucoup de critiques s'expliquent parce que Michelle Bachelet est une femme. C'est une culture machiste qui ne s'est pourtant pas exprimée dans les urnes", rétorque malicieusement Sergio Bitar, le président du Parti pour la démocratie (PPD), membre de la Concertation démocratique. Analyse confirmée par l'homme de la rue : "On l'attaque parce que c'est une femme, elle est courageuse et charismatique", confie un vendeur de journaux.
"Nous ne la critiquons pas en tant que femme", corrige sereinement Guillermo Teillier, le président du Parti communiste, qui avait appelé à voter pour la candidate socialiste. Il rappelle que le PC a été dirigé pendant de longues années par une femme, Gladys Marin. "Nous ne nous sentons pas floués par Mme Bachelet, nous attendons de voir si elle pourra respecter ses engagements", ajoute le président du PC.
C'est bientôt l'été austral au Chili. La commission d'experts chargée d'étudier une réforme de l'éducation doit remettre ses conclusions le 11 décembre. Les longues vacances devraient constituer une trêve jusqu'à la rentrée de mars. La révolte des "pingouins" a été un coup de semonce. "Les lycéens ont tiré la sonnette d'alarme. Les Chiliens savent qu'ils ont une démocratie solide, et ils vont commencer à réclamer leur part du gâteau", explique Marta Lagos, qui n'écarte pas un Mai 68 chilien.
Un Mai 68 ? "Impensable !", s'exclame Carlos Pena : "Les jeunes qui sont à l'Université appartiennent à une élite économique, les ouvriers vivent beaucoup mieux que dans les années 1970 et 1980, et le Chili est un pays raisonnable, à l'abri de tout populisme." Reste, pour la présidente, un énorme défi à relever d'ici à la fin de son mandat, en 2010 : promouvoir une plus grande égalité entre les citoyens. Au Chili, la pauvreté frappe encore 18 % d'une population de 16 millions d'habitants.
"Publicar o primeiro livro, hoje, em Portugal, não parece difícil. Não tanto, decerto, como há vinte, trinta anos.
Diz a este propósito Mário de Carvalho: «Hoje é relativamente fácil publicar. Toda a gente escreve, toda a gente publica, há quem se indigne e proteste, os taradinhos da economia avisam que o mercado - o enjoo que este substantivo já provoca - não aguenta. Não estou nada preocupado. Ou melhor, não acrescento esta às preocupações que partilho com qualquer cidadão sensato».
De sobejo sabe, o autor de «Um deus passeando pela brisa da tarde», da «paraliteratura», do «lixo», do «disparate» em doses calamitosas que inundam as livrarias. E daí? É ainda ele quem dá a resposta: «Sou, em absoluto, pela alfabetização das massas. Se as massas, depois, consomem bodegas, é com elas. Quando eu nasci, quase metade da população era analfabeta.
Antes a quero a soletrar essas livralhadas de capas furta-cores que há para aí, que, desbarretada, a ouvir o senhor prior ler `A rosa do adro`». "
Contra as aulas de substituição
Alunos de secundárias do país participam em protesto convocado por SMS
16.11.2006 - 10h45 Lusa
Alunos de escolas secundárias em vários pontos do país organizaram esta manhã protestos contra as aulas de substituição, numa acção convocada ao longo dos últimos dias por mensagens de telemóvel e pela Internet. Várias escolas tinham os portões fechados a cadeado e houve pequenas manifestações.
Na escola Filipa de Lencastre, em Lisboa, havia esta manhã dezenas de alunos em protesto na sequência de uma convocatória por SMS para uma "greve nacional de alunos", hoje, "contra as aulas de substituição".
"Greve de alunos 16 de novembro contra as substituições. mensagem a rodar. passem!" é a mensagem que circula desde o início do mês por telemóveis e por sistemas de conversação instantânea na Internet, disse à Lusa um dos alunos daquela escola.
Também nas escolas Fonseca Benevides e Secundária da Pontinha, ambas em Lisboa, os alunos realizaram protestos, fechando os portões a cadeado.
Noutra escola da Pontinha, a Básica do Segundo e Terceiro Ciclos, os alunos impediram a entrada dos professores cerca das 08h30, pelo que os docentes tiveram de chamar a polícia. De acordo com uma professora daquela escola, apenas às 09h00 e depois de intervenção policial os docentes puderam entrar no recinto.
Também hoje de manhã, os alunos da escola Secundária e de Ensino Básico Pedro Nunes, em Alcácer do Sal, realizaram uma concentração à porta da escola, seguido de um desfile pelas ruas de Alcácer.
Os estudantes protestam contra os exames nacionais, pelo fim das aulas de substituição, pela implementação da educação sexual nas escolas e contra os e levados custos do ensino.
Os alunos da Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol, na Madeira, mantiveram encerrados durante cerca de 30 minutos os portões do estabelecimento de ensino, em protesto contra as aulas de substituição.
Um aluno da Escola Secundária de Miranda do Corvo disse à Lusa ter recebido o SMS mas afirmou que a associação de estudantes desta escola optou por não aderir ao protesto.
No Publico
Finalmente alguma reacção dos estudantes portugueses, que são manipulados e desprezados quando se trata de "reformas" sobre as escolas. Os professores podiam ter-se juntado ao protesto, em vez de chamarem a polícia... Só através da cooperação os professores e os alunos vão conseguir alguma coisa contra esta política puramente económica do Ministério da Educação. Chega de péssima qualidade de ensino, chega de desculpas. Reformas sim, mas a pensar nos alunos e nos docentes!
Falta credibilidade às greves do ensino secundário. Encontrei um texto na internet de um aluno do 12° em 2003, o Bernardo, que diz o seguinte: "mais uma manifestação de estudantes do secundário, mais um circo lamentável. Acredito na importância da luta pelos direitos que são inatos à nossa existência, nos quais se inclui o acesso a uma educação de qualidade. Contudo, creio isso não se desenvolve com este género de infantilidades, que, na minha óptica, não têm qualquer coerência e cabimento." A greve não é uma infantilidade. É um meio de acção, que funciona se usado correctamente. É necessario organização, comités de greve, alunos responsaveis por fazer circular a informação (com cartazes, panfletos, reuniões de informação, etc.). A greve não é ir para a rua e faltar às aulas. Infelizmente, em Portugal esses meios de acção nunca são valorizados nem dados a conhecer. Ninguém sabe organizar uma greve independentemente dos partidos politicos. Voltando ao Bernardo, "Os alunos (um dos quais eu) são confrontados com a(s) greve(s) dias antes desta(s). Como é óbvio, não é possível que um aluno participe nestas suficientemente esclarecido quando recebe um papel (normalmente no próprio dia) com dois ou três tópicos que presidem à luta, por mais elucidativos que sejam." As desculpas do 25 de Abril e do "ai, temos uma democracia recente" já estão gastas. Inspirem-se nos exemplos europeus (Grécia, França), ou mesmo da América do Sul (Chile, Peru). Os estudantes têm que se fazer ouvir quanto às decisões tomadas pelo poder político, e podem começar por se fazerem ouvir uns aos outros.

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